terça-feira, 9 de março de 2021

PROMESSAS

 

diluo o açúcar n’água

faço banho maria das horas

dava corda no vento

divagava sobre a cor do pensamento

 

seu nariz na minha nuca

e o meu nunca, onde se esconde?

sinto saudades mas não sei

qual é o seu país...


O CORRETOR DESAVISADO

eu vou querer um pouco de dor no corpo e alma de pipa avoada que é o meu nome completo da sua casa e a senha da minha mãe não é a gente se ver hoje eu estou com saudade de você e a gente se fala mais tarde te ligo pra ela que ela não tem nada a ver com isso é verdade mas eu não consigo nem imaginar o fim-de-semana.


QUANDO DIANTE DE UM QUESTIONAMENTO

quando algo na vida te irritar
escreva uma resposta
mas ao invés de apertar enviar
aperte
eu serei outro lugar

sábado, 27 de fevereiro de 2021

 INVENTO

 

há nesse contexto

esse ar

e será que há

um movimento

atípico

do ser

estar

onde viajar

pode ser um artifício

de se revelar

o que é difícil

porém não impossível

verbo intransitivo

de amar


terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

RESPOSTA

terno. complexo: completo
procurando termos
enterro daquilo que não é mais: completo.
intenso, bocas que dizem mais do que deveriam
dentes que concordam
gengivas que apóiam
magnitude da palavra: fé

um solo de violão que arrepia, existe.
a música que me conduz, respire.
não sobra nada além de um dó maior
calos nos dedos e pestanas ajuizadas.
sou muito mais do que imaginam seres
posso voar e
internamente
posso voar internamente,
contente,
agora tente
ser como eu
interno, complexo: completo.
amar da amargura sabedoria
seres imaginários povoam o céu do pensamento
resposta à dor: ande
não pare
não repare a solidão que não existe
insista
resista e ame-se.
se amo
amo tanto que desfaz a pergunta: que somos seres?
que tipo de gente, que carne ausente, que ferida aberta é essa?
enterro de truques.
da bobagem que nos contaram: não podia.
a sete palmos da terra, longe demais agora, inalcançável.
resposta pra tudo:
deixa estar,
estou amando.

 

ESSA NOITE NÃO DORMI BEM

 

raios ruminosos refletem do ser

serpente

de repente

me alumia

 

estou contra a correria das horas

relógio

atrasado

pra mim é presente

 

bicho entocado na mata

matagal

seria

descoberta oca

 

fato consumado é tenra liberdade

onde

estamos

nesse mundo


quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

 

SUMMERTIME

 

o calor, 

ele não esta nem aí se hoje é o dia mais triste do ano.

 

o calor está trabalhando normalmente.

sábado, 2 de janeiro de 2021

SE EU SOUBESSE LER TUDO O QUE O CORPO CONFESSA

caminhar junto à roda dos ventos
pensamento leve feito saracura no mato
eu na verdade vim do sertão
só não contei a verdade

alinhar as desavenças com o tempo
trazer paz ao momento
e a tudo mais que se propõe nessa terra
há quem conte a verdade

perfumar os caminhos
trazer latas de tinta branca
colorir o céu de desejos
esmagar com força a vontade

não temer as arestas da vida
desnudar os passos
construir pontes imaginárias
celebrar o alimento que respira o vento

lá longe onde é só mato
encontrar a paz em longa liberdade
onde o sol que queima
é o mesmo que arde a floresta da vida

deslumbrar as páginas e passagens
copiar os melhores movimentos
vigiar o pensamento
e ser a essência do melhor viver

eu vim do sertão
só não contei a verdade

 

O TEATRO DOS MEUS SONHOS

Entenderei um dia essa nossa vida de caminhar sozinho pra encontrar vazio um buraco cheio d'água. Entenderei um dia essa nossa sina de vagar perdido achando que é mais fácil chorar lágrimas de crocodilo do que ligar do orelhão da esquina e dizer: tenho saudades.

Entenderei um dia esse nosso guia que ensina que rimas assustam e desviam e  que não são apenas palavras e jograis bacanas, como pessoas bacanas.

Disso entenderei um dia.

Do amor entenderei, de querer entenderei, de não telefonar entenderei.

De não atravessar a rua para comprar cartões telefônicos nesse dia de outono para dizer: tenho saudade,... não entenderei nesse minuto. Pode ser outro dia. Favor deixar recado no próximo sinal.

Agora tenho mensagens, memórias, impossibilidades, quilômetros para dirigir.

Quando esta história estiver sendo contada no palco de um teatro de porão e você estiver sentada em uma das fileiras como nobre espectadora -- assim entenderei -- assim estenderemos nossos possíveis planos que nunca foram contados nem para nós mesmas: eu como boba da corte, você na realeza dos bichos de sete cabeças.

Entenderei um dia essa mania de chamar pessoas de humanidade, quando distancia não passa de longínquos bairros e perdemos o mais simplório sentido do querer.

O que é um cartão de telefone, mesmo? Porque eu ia dizer... tenho saudades?

Se eu me esqueço da pessoa...e essa humanidade que consegue deletar arquivos tão rapidamente quanto colocar o lixo pra fora de casa ou levar o cão pra passear na praça e vegeta...

...consciência é um privilégio ou um engano meu?

E agora é aquela que escreve essas letras tortas para aqueles que um dia disseram...sensibilidade é caro demais, tem preço.

Eu me lembro, por isso um dia entenderei e, sinto muito, meu bem, se esse é o teatro dos meus sonhos, e para você não tem papel.

CÉU DO NORTE

meu coração pesa do lado certo
eu eu me digo: ao menos isso
antes fosse peso de papel,
em cima da mesa
latejando no trabalho.
assim seria apreciado
pelos transeuntes
como objeto de decoração
de algum coração desavisado.

VINTE E CINCO

tem dias que eu estou que sou.
pergunto minhas possibilidades
ao analista como quem precisa mesmo
ter certeza da opinião de um cético avaliador das horas.


nunca tive medo de contrariedades,
mas dos contrários do mundo
ora tenso ora terreno demais.


visto as fantasias necessárias
e me despeço da festa na hora do bolo
aprendi a gostar das celebrações depois
de velha porque acho que não vim com
esse gene, essa facilidade de comemorar o inusitado.


coloco as vírgulas de acordo com o
baile. 


dentro da minha cabeça sempre
tem espaço para a sétima arte e a cada
ano que passa nãoo sigo mais o compasso
da música.
ela vem me seguindo.

PONTO DE FUGA

um sangue quente estancou a melodia

o que é que eu faria se não vivesse em você?

o mar de rosas que é meu ponto de fuga

minha raiva, minha cura, meu amor, o meu poder


o que seria dessa gente iluminada

se não houvesse ouvir do clamor dessa canção

seria apenas a tristeza interrompida

mas não se sustentaria

como sorte o carnaval


que foi meu mundo, minha vida, minha festa

tantos anos de avenida para te redescobrir

como meu gênio: minha ideologia

toda a filosofia de quem só sabe querer


agora só posso pedir que permaneça

que da vida não se esqueça

só levamos o perdão


parece teste mas é rota pra minha linha

que procura teu destino que vai de encontro ao meu

agora saiba que estas preso ao sentido

isso é bom pro paraíso que desejamos viver


um sangue quente estancou a melodia

o que é que eu faria se não vivesse em você

terça-feira, 29 de dezembro de 2020

ANTES DE TUDO UMA GOTA PINGA DO CÉU

ímas de felicididade colados na geladeira
letras abissais
encontros que não acontecem

voltei de lá
lá onde não era vazio
voltei de lá para tremer aqui

só o amor constrói
o que a vida distrai

nunca me dei com palavras contidas
vai chorar longe daqui
lá onde é vazio

só o amor constrói
o que a vida trai

terça-feira, 4 de julho de 2017

EU LHE DISSE QUE NÃO SERIA ISSO TUDO

o nome dele era pesadelo. doía no estômago o quanto deixasse. se deixasse ficava para sempre. escrevo como quem quer alimentar leões. preciso encontrar a comida certa para eles. aqui a carne é escassa. não temos ossos. não temos músculos nem células nem eletrólitos. eletrólitos, palavra tão subestimada. vendo água para matar a sede. seu nome era pesadelo. fazia de mim gato e sapato ou como dizem, manipulava meus poros até explodirem num hotel barato no interior de minas. não trocamos cartas, que seriam lentas e monossilábicas. eu te amo. mentira. estou com saudades. até poderia. trocamos breves mensagens celulares e estou com saudades mentira eu te amo será? seu nome foi pesadelo. durou um tempo mas não o tempo do mundo, que ninguém sabe contar. as horas são invenções do homem. acendo a luz porque escurece, tão óbvio. não gosto desse apartamento. estou sempre contando os minutos para nunca mais. sozinha, escrevo pela primeira vez com minha voz. ela ainda vai rouca. mas vai.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

PARTIDA PARA CHEGADA

o mar me aprisiona
são centenas de algas presas aos meus pés
como nadar em meio aos tubarões
se estou tão distante de mim

agora a partida é certa
as malas estão prontas
a mochila esta completa
meu ar é de desprendimento

há um vulcão na espera
glaciares por toda parte
carne de baleia
estou partindo para perto

é o que me consola
o laço existe desde que me conheço
viajar horas para te ver
e o que encontrar além da própria saudade dentro de mim

gera medo
gera meu corpo cansado deitado no sofá assistindo nada
porque tanta ansiedade
perguntaria qualquer pessoa

é coisa do tempo
destrói minhas entranhas
e carrega consigo aquele mar
do começo do poema

sexta-feira, 2 de junho de 2017

GLACIARES

de longe
me vejo dançando em você

meu amor,
você é a única geleira que não posso desconstruir

quem dera apenas derreter dos meus pensamentos
o nosso fim.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

 UNTITLED SÓ PORQUE EU QUIS

desculpe não saber escrever prosa
você vai ter que ler tudo
rapidinho
 ESTAVAMOS A FALAR DE AMIZADES POR AI


a tristeza te pegou
fast forward
você não sabe pra onde ir
recue duas casas
no jogo da vida é assim mesmo
sua bola no estômago
só releva seu medo
se estraçalhar
na primeira esquina
não vai resolver
ja te disseram

você não ouviu
o roer das unhas
dissipou aquilo que era concreto
no céu dos esquecidos
fez pacto com a dor

coitada
não sabe que voltar
respira
todos os seus poros

e agora?

agora eu te abraço.
PLÁGIO

os livros são objetos transcendentes
caetano
caminhando sobre o sol

pela constelação do cruzeiro do sul
gilberto
nós também somos do mato como o pato e o leão

menina, amanhã de manhã
tom
augusta, que saudade

quando você me ouvir chorar
roberto
deixo no ar

apesar de você
maria
as pedras do que sou dilui

há quem diga que eu não sei de nada
sergio
eu quero é botar meu bloco na rua

cansei de ouvir abobrinhas
itamar
vou escutar escarolas

corre calma severina noite
ney
atento aos sinais

chorando feito fogo a luz do sol
gal
junte tudo o o que você conseguiu por coincidência

assim que o dia amanheceu lá no mar alto da paixão
djavan
eu ja fiz de tudo, cadê que adiantou?

faz tempo que meu coração não bate assim
jorge
sendo amor que venha diferente

pelas ruas que andei
alceu
o coração dos aflitos pipoca dentro do peito

eu agora sou bem diferente
odair
eu vou tirar você desse lugar

eu só levo a certeza de que muito pouco eu sei
almir
ANGUSTIA NO CORPO DOS OUTROS É REFRESCO

entrelaçada pelo discurso roubado
poderia dizer que te amo
mesmo que não ame
só para te garantir perto
você meu
eu sua

uma ilusão contemporânea
consertando o ócio com amarras invisíveis

como um artista
desembrulhar a indiferença

mesmo sem saber usá-la, afinal.

depois de gritar, escandalosamente, por madrugadas insones
o caos retomando uma ponta perdida de genialidade
para que lado do coração apontar?

se vizinhos ouvessem
deles seriam as marcas do meu despejo

a garantia de possuir algo é tão ilusória
quanto esperar o sol nascer forte numa manhã de outono
todos os dias do ano
como se pudesse ser outono
todos os dias do ano
- e como eu queria

esquecer do inverno
suspirando com o vento que insiste em bater as portas da minha casa

mesmo que não te ame.
mesmo que será que te amo?